quarta-feira, 19 de março de 2014

Vestido de asas e endossado de linho branco...

Chovia, a terra molhada cheirava gostoso e do horizonte eu via o evolar das gotas que subindo fazia-se uma cortina fosca que entre um balançar e outro mostrava-me uma veste de linho branco, ela vestiria alguém transluzindo - o atravéz de seus orgulhos e conceitos.   Reluziria um ser que se confundiria entre homem e DEUS, entre pássaro e horizontes!!! No caminho entre as árvores,num caminho lindo e estreito onde o cheiro do orvalho nas folhas enchia-ma alma e a réstia,feixe tenue de luz, que vinha das águas ajuntadas na beira do caminho, ofuscava-me os olhos fazendo-me imaginar e sentir o vôo livre da águia, o canto forte do roxinol e a força daquele que cingi a aurora como auréola em torno de si.   Espelhava-se no infinito do anseio e no ápice dos desejos, possuir a forca do vôo, numa flexibilidade, ir no passado e encontrar no futuro o sabor das notas de um piano e as cores do sorriso de uma criança!!!! Já sabia que, quem conseguisse cingir aquelas asas e endossar aquelas vestes translucidas de imortal resplendor,conseguiria passar a barreira do véu e como guerreiro empunhar as delícias das primícias jamais tocadas!   Deveria fechar as janelas castanhas e nao abrir as portas de marfim, nunca decifrar nas ondas sonoras os dilemas do humano, assim não teria máculas e a "metade homem" cairia na incorruptibilidade dos anjos iluminados e dos servos evoluídos,que passaram por transformações sucessivas, e veria além de seu sangue.   E não seria somente num prostar que as portas da misericórdia nao teriam fechaduras e que nossos corações bombeariam mais rápido e mais devagar nossa vida num só momento e esquentaria e esfriaria numa só vez o vermelho carmesim de nossas veias.   Ser imortal e sentir a imortalidade ainda com este templo que cairá no esquecimento dos tolos. Wormer,19/03/2014.

Um comentário:

  1. Lendo e desenrolando o pergaminho das tuas escritas, pude vislumbrar, quase de relance, um menino, de joelhos por sobre a tampa fechada do velho piano da avó. A tampa harmônica do piano estava aberta, e o menino, olhava, perscrutando, curioso, o maquinário do piano. Respondeu, ao ser questionado, que lá dentro morava um anjo... Ele acreditava no anjo habitante do piano, e, por acreditar, o anjo existia... O mesmo ser angelical, habitante daquele velho piano, recita suas poesias, porque tanto a música como os versos são redentoras, salvadoras e ambas chamam para si a atenção de anjos....

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